ORIGEM:
Até
quase o final da primeira década do Século XX, a Igreja
Católica, no Rio Grande do Norte, estava ligada à Diocese
da Paraíba. Até que, em 29 de dezembro de 1909, foi criada
a Diocese de Natal, tendo como primeiro bispo, Dom Joaquim Antônio
de Almeida (1910/1915).
Em 1918, já no governo de Dom Antônio dos Santos Cabral
(1917/1921), foi criada a Congregação Mariana para os
Moços. Esta atuava em três eixos: formação
de técnicos, cooperativismo e imprensa. Também no governo
de Dom Cabral, foi lançado o informativo A Palavra, semanário
que circulou por pouco tempo. No período de 1924 a 1930, a Diocese
manteve o Jornal Diário de Natal. Em 14 de julho de 1935, sob
a responsabilidade da Congregação Mariana, a Diocese lança
o primeiro exemplar do Jornal, diário, A Ordem, sob a influência
de Tristão de Athaíde e Jackson de Figueiredo. A história
de A Ordem pode ser dividida em três fases: 1935 a 1953, 1960
a 1967 e a terceira teve início em 1999 e se prolonga até
hoje.
1ª FASE:
a)
O Título:
o Jornal A Ordem surgiu numa época em que a Igreja Católica,
no Rio Grande do Norte, se preocupava com os problemas sociais, conseqüências
da pós Primeira Guerra Mundial; com o fortalecimento do catolicismo
e com a moral. Através da leitura dos primeiros exemplares do
Jornal, que circulava diariamente, têm-se a impressão de
uma Igreja que se defende de uma série de inimigos. São
freqüentes os ataques ao protestantismo, ao espiritismo, à
maçonaria, ao comunismo etc. Tom moralizante também é
percebido com investidas contra o carnaval, bailes, neopaganismo, má
imprensa, jogatina, enfim, contra todos os inimigos da ordem moral.
Isso é perceptível já no editorial da primeira
edição de A Ordem, quando a sua direção
explica o porquê do título do veículo:
“Ordem é hierarquia e é disciplina. É respeito
e é autoridade. É amor sadio e é fraternidade.
É, numa palavra, cumprimento exato de deveres, virtudes essas
que faltam à civilização atual, cujo senso do divino,
meta insubstituível da vida, se foi amortecendo a partir do Renascimento”.
b)
Os responsáveis: segundo pesquisa feita por Alceu Ferrari,
publicada em seu Livro intitulado “Igreja e Desenvolvimento”,
o grupo responsável pelos primórdios de A Ordem estava
sob idéias integralistas. “Durante os poucos dias de vida
do governo comunista implantado em Natal, pela Revolução
de 1935, a tipografia de’A Ordem foi ocupada, sendo-lhe mudado
o nome para Tipografia Liberdade, com foice e martelo na placa”
(Igreja e Desenvolvimento, pág. 47). O Grupo de Imprensa da Congregação
Mariana também exerceu grande influência no meio político
do Rio Grande do Norte. Ainda na pág 47, do Livro Igreja e Desenvolvimento,
o autor afirma: “Muitos projetos surgiram e foram aprovados pela
Assembléia, graças ao apoio de A’Ordem”.
Nos primeiros anos de funcionamento, o Jornal era dirigido por um grupo
de intelectuais católicos, entre eles: Otto de Brito Guerra,
Manuel Rodrigues de Melo e o professor Ulisses de Góis. Sua sede,
onde funcionava a redação e a oficina, ficava situada
na Rua Dr. Barata, no Bairro da Ribeira, em Natal.
c)
O social: a partir de 1945, fim da Segunda Guerra Mundial,
aparecem em A ordem, com maior freqüência, artigos sobre
ação social, problemas sociais, sempre correlacionados
à Doutrina Social da Igreja. A edição de 24/04/1950,
depois de observar a Ação Católica dera início
e mantinha várias obras sociais na Capital, acrescenta:
“Agora chegou a vez dos Congregados Marianos, que, embora já
mantenham obras de importância de uma cooperativa de crédito,
de um diário católico e de uma Escola Técnica do
Comércio, não pretendem descansar sobre os louros das
vitórias alcançadas”.
Logo soube-se, através do próprio Jornal, que tratava-se
da construção de uma Escola-Ambulatório, situada
no Alto do Juruá (hoje, Petrópolis).
d)
Produção: em sua primeira fase, o Jornal A Ordem
era produzido de forma precária, conforme as condições
da época permitiam. Porém, isto não impedia que
ele se tornasse um impresso de grande aceitação por parte
da sociedade.
A equipe de redação era formada, na maioria, por jovens,
que faziam o trabalho voluntário. Entre estes voluntários,
pode-se lembrar Jurandy Navarro, que foi repórter esportivo,
no final da década de 40. Outro voluntário é o
Dr. Carlos Serrano, que iniciou seu voluntariado, aos 15 anos, como
revisor do impresso, no começo da década de 40. “Tínhamos
o Joaquim Gomes de Meira Lima, como chefe de redação;
José Nazareno Moreira de Aguiar, como encarregado pela revisão
e ele aproveitava jovens voluntários para esse trabalho”,
lembra o Dr. Serrano.
Para a produção de notícias, havia repórteres,
que eram pautados e saíam às ruas. Outras notícias
chegavam pelo telégrafo ou eram captadas através da Rádio
Nacional, do Rio de Janeiro. Também havia os correspondentes
das principais cidades do interior do Estado, que enviam suas notícias
através dos caminhões e ônibus.
Todo material era datilografado e impresso de forma bastante artesanal.
“Quando o linotipo foi inaugurado, houve um grande avanço.
Antes, os tipos eram colocados manualmente nas caixetas. Com a chegada
do linotipo, o Jornal evoluiu, acompanhando o progresso dos demais periódicos
da cidade”, conta Jurandy Navarro.
O periódico era mantido através de assinaturas e de alguns
anunciantes. Quando chegava a crise financeira, a Diocese promovia quermesses,
para ajudar na manutenção do impresso.
A distribuição era feita de duas formas: enviada para
os assinantes e, também, uma parte era colocada à venda,
nas bancas. A grande circulação do Jornal acontecia em
Natal, porém, uma parte era enviada para os assinantes, nas principais
cidades do interior.
e) Importância: através de relatos de
pessoas que eram leitores ou que trabalharam em A Ordem, em seus primórdios,
e do Livro Igreja e Desenvolvimento, percebe-se a importância
que este Jornal teve para a sociedade natalense. Ele era importante
não só como instrumento de ação católica,
mas como fonte de informação e de opinião sobre
assuntos locais, nacionais e internacionais, numa época em que
os meios de comunicação se restringiam ao telefone e,
principalmente, ao rádio, e estes eram poucas as pessoas que
os possuíam, no Rio Grande do Norte.
2ª
FASE:
Após
7 anos de interrupção, o Jornal A Ordem volta a circular,
em outubro de 1960, desta vez, como semanário. Neste período,
a Arquidiocese de Natal estava sob a administração de
Dom Eugênio de Araújo Sales e vivia a efervescência
do Movimento de Natal. Este Movimento foi idealizado pelo próprio
Dom Eugênio (na época, Pe. Eugênio) e pelo Pe. Nivaldo
Monte, no final de década de 40. Natal vivia o pós Segunda
Guerra Mundial e aturava suas conseqüências: desorganização
nos campos econômico, social, cultural e religioso. Daí,
os dois sacerdotes começam a pensar um jeito de reorganizar Natal,
surgindo, assim, o Movimento de Natal.
Entre as ações sociais desenvolvidas nesta época,
destacam-se:
. Campanha da Fraternidade, assumida, posteriormente, pela Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, existindo até os
dias atuais;
. Rádio Rural de Natal, que ainda permanece no ar;
. Escolas Radiofônicas, que alfabetizaram centenas de pessoas,
principalmente do interior do Estado, através do rádio;
. Incentivo à criação/organização
dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais;
. Organização de Patronatos para a educação
de crianças carentes;
. Frentes de trabalho, para os trabalhadores rurais, nos períodos
das secas;
. Reavivamento do Jornal A Ordem.
Em sua 2ª fase, que durou de 1960 a 1967, A Ordem passou por um
período de “auge”, chegando a ganhar, inclusive dois
Prêmios Esso de Jornalismo, sendo dois nacionais e um regional.
Uma matéria que fez com que o Jornal ganhasse um dos Prêmios
tinha como título: “Macau: terra rica de gente pobre”.
Nessa época, o Jornal chegou a ter uma tiragem de 4 mil exemplares,
sendo o segundo em Natal, em se tratando de tiragem. Só perdia
para o Jornal Diário de Natal. Seu editor chefe chamava-se Manoel
Chaparro. Era um jornalista, considerado por muitos, como eficiente,
e trabalhava em Portugal. Dom Eugênio Sales o trouxe para ser
editor de A Ordem. Hoje, Chaparro é professor da USP, em São
Paulo.
O professor do Curso de Jornalismo da UFRN, Marcos Aurélio de
Sá, que foi repórter de A Ordem, no começo da década
de 60, lembra que o referido Jornal, mesmo sendo semanal, pautava os
demais jornais da cidade. Isto mostra a credibilidade do periódico
da Igreja Católica. Dom Nivaldo Monte, Arcebispo da Arquidiocese
de Natal, no período de 1967 a 1998, afirma: “se saí
em A Ordem, tudo mundo acreditava”. Ele também lembra que
era um Jornal polêmico, tendo em vista a conjuntura da época
da ditadura.
A Ordem parou de circular em 1967, em virtude de dificuldades financeiras.
3ª
FASE:
a)
Boletim: do final de década de 1967 até 1970,
a Arquidiocese de Natal ficou sem um meio impresso de divulgação.
Em 1971, porém, retoma as atividades, publicando um Boletim Informativo,
produzido pelo seu Secretariado de Opinião Pública. Era
um boletim semanal, que saía aos domingos, mimeografado a tinta,
em papel ofício, dobrado ao meio, formando uma publicação
de 4 páginas, com a qualidade que o método permitia. Ao
mesmo tempo, isto é, paralelamente, o Secretariado publicava
um Boletim de Imprensa, na maioria das vezes diário, mimeografado
em estêncil a álcool. Era uma espécie de release,
remetido diariamente aos meios de comunicação da cidade.
Em 1972, o Boletim Informativo passa a ser impresso tipograficamente,
e começa a inserir algumas poucas ilustrações,
entre as quais desenhos e fotos. Apresenta-se, também, com um
novo visual, mas permanece com o mesmo formato. Em 1976, o Secretariado
de Opinião Pública passa a se chamar Secretariado dos
Meios de Comunicação Social. Nessa mesma época
sai o nome “boletim”, ficando somente “Informativo”.
Em 1980, retoma o nome Boletim Informativo, mas continua com o mesmo
formato e mesma impressão precária, permanecendo assim
até 1996, quando são introduzidas pequenas modificações.
Os recursos da informática começam a ser utilizados, melhorando
a qualidade de impressão e visual, mas o formato ainda permanece
no tamanho papel ofício, dobrado ao meio. Era distribuído,
gratuitamente, a todas as Paróquias da Arquidiocese, sendo que
cada Paróquia recebia em torno de 30 exemplares, semanalmente.
Nesta época, o Boletim era produzido por um seminarista e tinha
uma tiragem de 2.200 exemplares.
No segundo semestre de 1996, o Arcebispo de Natal, Dom Heitor de Araújo
Sales, começa a articular a formação de uma Pastoral
da Comunicação. Seu objetivo era melhorar a comunicação
interna e externa da Arquidiocese. Ele escolhe duas pessoas, Francisco
Morais e Cacilda Medeiros, e, no ano seguinte, Antônia Maria,
para fazerem um curso de capacitação em comunicação
para a pastoral. Ao retornarem, eles iniciam a articulação
da Pastoral da Comunicação. A partir de 1998, assumem
a responsabilidade pela publicação do Boletim Informativo.
Esse fato dá novo impulso à publicação impressa
da Arquidiocese. No entanto, ainda continua sendo impresso de forma
bem artesanal, isto é, em máquina copiadora e com uma
tiragem de 2.200 exemplares.
b)
O retorno: em fevereiro de 1999, a Equipe da Pastoral da Comunicação,
juntamente com o Arcebispo, resolve trocar o nome de Boletim Informativo
por A Ordem, resgatando seu nome de origem. O “novo” impresso
passou a apresentar novo layout, novo formato em tamanho de papel (duplo
carta), editado em estilo de jornal, com 4 páginas de três
colunas cada, e ilustração com fotos das matérias
publicadas. Apesar dessas modificações, A Ordem ainda
continua sendo impressa em máquina copiadora, com periodicidade
semanal.
Em agosto de 2000, a equipe da Pastoral da Comunicação
e, conseqüentemente, responsável pela produção
de A Ordem, passa a ser composta por: Cacilda Medeiros, Francisco Morais
e José Bezerra. No mesmo período, o jornal passa a circular
com 8 páginas, insere um novo layout e lança mão
de anunciantes. Mas a impressão, apesar de melhor que as anteriores,
ainda não é off-set. Com a ampliação do
impresso, as Paróquias passam a contribuir com um pequeno valor,
com forma de pagamento pela “assinatura do jornal”. A partir
daí, a tiragem do periódico é reduzida para 1.100
exemplares. O motivo dessa redução se dá em virtude
da assinatura paga.
c)
O avanço tecnológico: a partir de 29 de abril
de 2001, A Ordem passa a ser impresso em gráfica, em off-set,
melhorando, consideravelmente, a qualidade de impressão. É
o formato que continua até hoje.
Em sua terceira fase, devido ao seu tamanho (pequeno), o jornal traz
somente informações da Igreja, geralmente notícias
das atividades realizadas pelas Paróquias. Em algumas ocasiões,
a sua matéria de capa (páginas 4 e 5), aborda assuntos
em âmbito mais geral, principalmente no campo social.
Atualmente, o Jornal A Ordem, tem uma tiragem de 1.800 exemplares, semanal
(domingos). P
d)
Versão on-line: desde o ano 2000, A Ordem também
pode ser encontrado em versão on-line no seguinte endereço:
www.arquidiocesedenatal.org.br.
Trata-se do site oficial da Arquidiocese de Natal, onde há um
link para o Jornal, atualizado semanalmente, às sextas-feiras.
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