INTERAGENTE
Pe. Vicente Laurindo de Araújo, MSF
Vigário Paroquial de São Pedro Apóstolo - Alecrim - Natal

Democracia e liberdade

Mais que dois conceitos que foram se formando, ao longo da história, no seio de várias culturas e civilizações, preferiu-se tratar “Democracia” e “Liberdade”, como duas dimensões essenciais, que acompanham, porque fazem parte inalienável da vida humana onde e quando estiver ela a conviver com os seus semelhantes. Como expressou tão bem o Pe. Lebret, citado por Paulo VI, na PP, n° 14: “O que conta para nós é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até chegar à humanidade inteira”.

Já ‘liberdade’ qualifica o agir humano autêntico, associativo e operacional, frente a escolha eletiva de valores, utilizando critérios éticos e morais internalizados. O animal-irracional age, reagindo instintivamente e sempre condicionado ao seu ‘ habitat’ natural, ao meio físico e ambiental.

A ‘democracia’, que parece existir e coexistir entre as abelhas, as formigas, não passa de uma escravidão à “ordem aparente” que elas reproduzem o que executam, de forma tão admirável, por razões instintivas internas.
A rigor, quando se busca os últimos alicerces da ‘democracia’ e da ‘ liberdade’, é no genoma humano que eles se radicam. No material germinativo anidado no útero materno já se encontra o ‘germe’ da liberdade individual e possibilidade de abertura radical e necessária à partilha da vida do indivíduo com o seu semelhante, já que existe uma dependência radical do nascituro para com sua mãe. Essa dependência orgânica da mãe como sua matriz humana, não é mais significativa do que a que vai se estruturando no processo de individualização necessária a humanização e que se completará na convivência com os outros nos cenários reais da vida e do convívio sócio-político.

Ao se tentar compreender essa convivência dos seres humanos, nos deparamos com suas vidas organizadas de forma criativa, livres e autônomas: é a luta do viver em coletividade, sob ordenamentos, previamente, convencionados.

Dentre os regimes constituídos para aproximar os indivíduos, com seus anseios de autonomia e liberdade, preservando o bem maior da sociedade como um todo, o regime democrática tem sido considerado pelos analistas como o melhor, em razão de suas potencialidades humanizadoras. Atesta isso o significado político advindo da Grécia antiga: “democracia: poder do povo, forma de governo do povo, pelo povo e para o povo”. Isto supõe cidadãos livres, autônomos, capazes de assumir compromissos consigo e com os demais, solidários e a serviço do bem comum. Aqui emerge algo terrível e decisivo na vida do homem: a luta pela conquista da liberdade, como função amorizante da justiça já que o amor quer a pessoa amada sempre mais bela e mais feliz.

 

 






 

 

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