| Democracia
e liberdade
Mais que dois conceitos
que foram se formando, ao longo da história, no seio
de várias culturas e civilizações, preferiu-se
tratar “Democracia” e “Liberdade”,
como duas dimensões essenciais, que acompanham, porque
fazem parte inalienável da vida humana onde e quando
estiver ela a conviver com os seus semelhantes. Como expressou
tão bem o Pe. Lebret, citado por Paulo VI, na PP, n°
14: “O que conta para nós é o homem, cada
homem, cada grupo de homens, até chegar à humanidade
inteira”.
Já ‘liberdade’ qualifica o agir humano
autêntico, associativo e operacional, frente a escolha
eletiva de valores, utilizando critérios éticos
e morais internalizados. O animal-irracional age, reagindo
instintivamente e sempre condicionado ao seu ‘ habitat’
natural, ao meio físico e ambiental.
A ‘democracia’, que parece existir e coexistir
entre as abelhas, as formigas, não passa de uma escravidão
à “ordem aparente” que elas reproduzem
o que executam, de forma tão admirável, por
razões instintivas internas.
A rigor, quando se busca os últimos alicerces da ‘democracia’
e da ‘ liberdade’, é no genoma humano que
eles se radicam. No material germinativo anidado no útero
materno já se encontra o ‘germe’ da liberdade
individual e possibilidade de abertura radical e necessária
à partilha da vida do indivíduo com o seu semelhante,
já que existe uma dependência radical do nascituro
para com sua mãe. Essa dependência orgânica
da mãe como sua matriz humana, não é
mais significativa do que a que vai se estruturando no processo
de individualização necessária a humanização
e que se completará na convivência com os outros
nos cenários reais da vida e do convívio sócio-político.
Ao se tentar compreender essa convivência dos seres
humanos, nos deparamos com suas vidas organizadas de forma
criativa, livres e autônomas: é a luta do viver
em coletividade, sob ordenamentos, previamente, convencionados.
Dentre os regimes constituídos para aproximar os indivíduos,
com seus anseios de autonomia e liberdade, preservando o bem
maior da sociedade como um todo, o regime democrática
tem sido considerado pelos analistas como o melhor, em razão
de suas potencialidades humanizadoras. Atesta isso o significado
político advindo da Grécia antiga: “democracia:
poder do povo, forma de governo do povo, pelo povo e para
o povo”. Isto supõe cidadãos livres, autônomos,
capazes de assumir compromissos consigo e com os demais, solidários
e a serviço do bem comum. Aqui emerge algo terrível
e decisivo na vida do homem: a luta pela conquista da liberdade,
como função amorizante da justiça já
que o amor quer a pessoa amada sempre mais bela e mais feliz.
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