|
Como devemos esperar Jesus? Jesus responde com uma parábola:
“Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus
empregados e lhes entregou seus bens... Depois de muito tempo,
o patrão voltou e foi acertar as contas com os empregados”
(Mt 25,14-19). Observemos uma particularidade: o patrão
entrega aos servos os “seus bens”, ou seja, um
capital enorme e de incalculável valor. A imagem dos
talentos destaca a largueza dos dons de Deus: cada um de nós,
de fato, é um investimento de amor; cada um de nós
é preciosíssimo aos olhos de Deus.
Todos nós somos um dom de Deus. Segundo o ensinamento
de Jesus, cada pessoa é um dom, mesmo que seja doente
ou aleijada ou marcada por qualquer anomalia. Insisto em dizer
que cada um é precioso aos olhos de Deus.
Em consequência disto, tudo o que somos e tudo o que
temos, devemos colocar a serviço dos outros: devemos
fazê-los tornar-se caridade.
Neste sentido, é extraordinariamente verdadeira a afirmação:
“diante de Deus, levaremos somente o que conseguimos
dar e não o que conseguimos acumular”. O que
nós acumulamos o colocamos no banco do egoísmo
e, portanto, o perderemos. Aquilo que doamos o colocamos no
banco do amor... e será nosso para sempre. Por este
motivo, Jesus louva os dois homens que souberam fazer bom
uso dos talentos que receberam e que os fizerem frutificar:
estes são os santos; estes são aqueles que lavaram
as suas vestes no sangue de Cristo, ou seja, na lógica
divina do amor e do dom total de si.
Não esqueçamos que se temos a saúde,
esta não é para nós, mas para quem não
a tem. Quem guarda para si os dons que Deus lhe deu, este
provará o desgosto e a angústua do egoísmo;
se somos inteligentes, a inteligência não é
para nós, mas para quem não a tem: se a usamos
exclusivamente para nós, nos precipitaremos no orgulho
e provaremos a inquietude e a amargura, que são “sabores”
tipicamente infernais. Se existe em nós a bondade,
a delicadeza e a sensibilidade, lembremos que são dons
para se investir e fazer o bem aos outros, ao contrário,
estaremos “fora da linha” e, consequentemente,
impossibilitados de sermos felizes.
Jesus acrescenta a última cena da parábola:
a cena do homem que enterrou, por medo, o seu talento. Este
homem pertence àquela categoria de pessoas que não
confiam em Deus, se lamentam de tudo, que protestam por causa
do escuro, mas não acendem a pequena luz que poderia
fazer a diferença. Aqui, valem as palavras de Santo
Agostinho: “Aquele que tem a caridade no coração,
há sempre alguma coisa a doar aos outros”. Somos
conscientes disso? Qual é a medida da nossa doação?
|