Comentário Litúrgico

Pe. Edilson Soares Nobre

Assessor Arquidiocesano da Pascom
E-mail: edilsonnobre@yahoo.com.br

   
Não fazer o bem é mal
(33º Domingo T. Comum) Pr 31, 10-1319-20.30-31 / Sl 127 / 1Ts 5,1-6 / Mt 25, 14-30

Como devemos esperar Jesus? Jesus responde com uma parábola: “Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens... Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar as contas com os empregados” (Mt 25,14-19). Observemos uma particularidade: o patrão entrega aos servos os “seus bens”, ou seja, um capital enorme e de incalculável valor. A imagem dos talentos destaca a largueza dos dons de Deus: cada um de nós, de fato, é um investimento de amor; cada um de nós é preciosíssimo aos olhos de Deus.

Todos nós somos um dom de Deus. Segundo o ensinamento de Jesus, cada pessoa é um dom, mesmo que seja doente ou aleijada ou marcada por qualquer anomalia. Insisto em dizer que cada um é precioso aos olhos de Deus.

Em consequência disto, tudo o que somos e tudo o que temos, devemos colocar a serviço dos outros: devemos fazê-los tornar-se caridade.

Neste sentido, é extraordinariamente verdadeira a afirmação: “diante de Deus, levaremos somente o que conseguimos dar e não o que conseguimos acumular”. O que nós acumulamos o colocamos no banco do egoísmo e, portanto, o perderemos. Aquilo que doamos o colocamos no banco do amor... e será nosso para sempre. Por este motivo, Jesus louva os dois homens que souberam fazer bom uso dos talentos que receberam e que os fizerem frutificar: estes são os santos; estes são aqueles que lavaram as suas vestes no sangue de Cristo, ou seja, na lógica divina do amor e do dom total de si.
Não esqueçamos que se temos a saúde, esta não é para nós, mas para quem não a tem. Quem guarda para si os dons que Deus lhe deu, este provará o desgosto e a angústua do egoísmo; se somos inteligentes, a inteligência não é para nós, mas para quem não a tem: se a usamos exclusivamente para nós, nos precipitaremos no orgulho e provaremos a inquietude e a amargura, que são “sabores” tipicamente infernais. Se existe em nós a bondade, a delicadeza e a sensibilidade, lembremos que são dons para se investir e fazer o bem aos outros, ao contrário, estaremos “fora da linha” e, consequentemente, impossibilitados de sermos felizes.

Jesus acrescenta a última cena da parábola: a cena do homem que enterrou, por medo, o seu talento. Este homem pertence àquela categoria de pessoas que não confiam em Deus, se lamentam de tudo, que protestam por causa do escuro, mas não acendem a pequena luz que poderia fazer a diferença. Aqui, valem as palavras de Santo Agostinho: “Aquele que tem a caridade no coração, há sempre alguma coisa a doar aos outros”. Somos conscientes disso? Qual é a medida da nossa doação?





 

 

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